Passados alguns dias do teórico fim das confusões todas na USP e após ler um bocado de coisa a respeito, vamos tentar chegar em algum tipo de consenso aqui. Vimos desde estudantes “filhinhos de papai” colocando a boca no mundo como fossem a chamada nova elite intelectual até comentários e debates bastante interessantes sobre o assunto, usando o ocorrido inclusive para abrir o leque e colocar em pauta assuntos mais abrangentes sobre a própria universidade a até o comportamento desses alunos.
A USP vem há algum tempo tendo divergências em diversos setores da universidade. O contato e troca de idéias entre alunos e reitorias é algo que se arrasta e a dificuldade para solucionar casos simples causa até espanto. O que dizer então das tribos de estudantes, grupos formados que não conseguem se entender quando o assunto se estende a regras e diretrizes da universidade, ou seja nem união total dos alunos para batalhar por uma causa comum existe. Existem diversas unidades (FFLCH, FEA, Poli, etc.) e dentro de cada unidade vários grupos (tribos). O Movimento Estudantil não é visto pelos alunos como uma organização por não possuir membros fixos, porém ao mesmo tempo é um movimento com lideranças provenientes dos diversos grupos da faculdade, principalmente do DCE e dos CA´s (centros acadêmicos de cada curso). Pelo formato proposto e explicado pelos estudantes, esse movimento pode não ter membros fixos, mas com toda certeza é organizado através dessas lideranças que buscam e incentivam a participação dos tais membros não fixos.
A “tribo” que invadiu o prédio da FFLCH, antes mesmo de comentarmos a respeito da causa, teve algumas atitudes que temos obrigação de enfatizar. Quando um grupo se une e vai a luta por uma causa que é considerada justa, por meios justos, não se vê o que se viu nas atitudes dos alunos da USP. Além da notória destruição do prédio, funcionários que voltaram ao trabalho depois da desocupação constataram fatos lamentáveis tal como o roubo de celulares do achados e perdidos do prédio, ficando para trás apenas livros e cadernos. Será isso uma demonstração da importância dos livros e da futilidade da tecnologia, ah, me poupe, demonstrar isso pegando os objetos de valor para seu uso próprio ou para vender em troca de alguns baseados...ridículo. O que falar então a respeito das intimidações feitas pelos alunos aos funcionários que trabalham naquele prédio hora ocupado. Até funcionária grávida foi trabalhar e sua documentação era exigida na porta do prédio, exigida por alunos que se recusam a mostrar o rosto??? Ah, e essa da documentação, que duvido que esses alunos soubessem identificar, foi solicitada a qualquer um que tentasse entrar no prédio.
Os estudantes reivindicavam uma série de coisas, claro que o fato que mais saiu na mídia foi a maconha, da audiência né? O povo gosta. Os alunos alegam que a prisão dos 3 alunos que fumavam maconha no campus foi apenas o estopim para insatisfações já existentes, e que a partir desse estopim começou o verdadeiro movimento para ocupação do prédio da FFLCH. As reivindicações dos alunos se resumem a dois fatos: discussão da ocupação da PM no Campus (defendendo a Guarda Universitária como segurança do campus) e transparência do Reitor Rodas, que tem nas suas costas diversas acusações e tem sua honestidade, enquanto reitor, questionada.
Existe a alegação por parte dos alunos de que a USP tem autonomia perante o estado e por isso não pode haver ocupação da PM, não pode mesmo, quem deve fazer a segurança é a guarda universitária. Uma instituição pública, financiada por todos nós, sujeitas as mesmas leis que todos dentro ou fora do campus (está em terreno público) reivindica por sua autonomia sendo que o cidadão comum (sem carteirinha), que no fim das contas é quem "banca“ a instituição e seus alunos, não pode usufruir do espaço público bonito e repleto de paz que é a USP. A USP tem autonomia, não soberania. Não podemos esquecer que cada aluno da USP custa em média de 2 a 3 mil reais por mês para os cofres públicos...
Falando mais especificamente da segurança, como esperar que a Guarda Universitária, seja responsável pela segurança do campus quando a mesma não está preparada e nem tem equipamento e aparato para tal função. Diante desses fatos, a solução mais rápida e eficiente para resolver problemas de segurança no campus é sim a presença da PM. A reivindicação dos alunos então deveria ser por uma Guarda Universitária preparada para fazer a segurança do campus, e não contra a presença da PM, mesmo considerando o fato mais do que sabido por nós de que a polícia militar do estado de São Paulo ainda precisa de muita preparação para assegurar e atender a população de forma devida...como diria o outro, é o que temos para hoje.
Independente de todas as exigências dos alunos, das mudanças necessárias dentro e fora do campus, a forma como agiram é repudiável. Lutar por mudanças e ter a energia do jovem para isso é admirável, porém não se faz isso depredando um prédio feito para seu estudo e conhecimento, montando barricadas com bancos de concreto arrancados do chão, exigindo identificação e impedindo funcionários de trabalhar e o pior de tudo, escondendo os rostos. Os alunos, aliás, após a ordem de desocupação, se recusaram a prestar depoimento à polícia, se reservando o direito de fazer isso somente em juízo, está na constituição e é um direito, mas quem “gritou” tão alto por dias se reserva ao direito de se calar agora...só me faltava. A tão contestada fiança que chegou aos R$ 39.000,00 é justa sim, qualquer um que é preso tem que pagar fiança pra sair, e que esse dinheiro sirva para colocar de pé e funcionando o patrimônio público depredado pelos alunos (difícil acreditar nisso, mas...). Chamar a atenção é fácil, fazer isso de uma forma que seus pleitos sejam atendidos, aí se separa os meninos dos homens. Elite intelectual é o caralho, tem que ler muito e comer muito feijão com arroz ainda...
E aí, quem apela, perde?
Hola! Honestamente, depois de tanto bombardeio de informação, tantas histórias bizarras sendo exploradas dos dois lados (nesse caso, a história tem até mais lados do que alunos X policia.. tem mídia, tem governo, tem reputação a ser zelada etc...), fica dificil escolher um e fincar o pé. Acho que tudo acaba virando aprendizado e que cada um tire as suas próprias conclusões. É muito fácil e raso esbravajar contra a ocupação dos alunos, fazendo piada na internet com o "menino símbolo" usando moletom da GAP e óculos Ray Ban. O buraco é muuuito mais embaixo e tomara que as pessoas realmente consigam ter essa noção. Particularmente, de TUDO, o que fica pra mim (no fundo, no fundo...) é que eu acho que eu ainda prefiro viver num mundo "perturbado", com gente que joga tudo pro alto, que não se submete..e ainda parece pouco. Vai ver se a Globo, por exemplo, deu a chance de um aluno que seja falar com calma e com propriedade sobre os motivos deles (até sobre a própria má administração da reitoria, que foi pouquíssimo citada). Pra que a Globo faria isso? Será que não é mto mais interessante mostrar essa geração do futuro (do presente!) perdida numa bola de neve de argumentos falidos e a "super" policia saindo vitoriosa numa ação "super" bem planejada? Em contrapartida, choveeeram textos na internet de pessoas que estavam lá e que queriam mostrar sentido em tudo aquilo. Não to defendendo nenhum lado, tá tudo errado... mas acho que é o tipo de acontecimento que gera a provocação, discussão e que faz a gente repensar muita coisa.
ResponderExcluirVida longa a provocação e ao blog! =)
Salve Flavinha!! =)
ResponderExcluirConcordo com tudo que disse, só agrega argumentos e fatos pro acontecimento todo.
O tal "menino símbolo" de GAP e Ray ban que circulou por aí não é correta mesmo, não se pode julgar o que alguém tem ou não pelas marcas da roupa que usa. Para constar a classe social que mais ganha poder de compra nesse país é a C.
Seria lindo se a Globo abrisse espaço para debates colocando sempre todas opiniões envolvidas em questão, mas nunca foi assim né, eles mostram o lado que querem.
A idéia geral de colocar esse assunto é exatemente esse "repensar" que você citou. Colocando todos os fatos do ocorrido na mesa, acho que o que fica pra repensar por parte da geração do futuro (presente) é como fazer acontecer e ter solicitações atendidas sem ter que rolar destruição de prédio, rostos cobertos, roubos, presença ostensiva da polícia, prisões...enfim, tudo que rolou. Como eu disse no post, admirável a energia que esses alunos demonstraram para lutar por suas causas, só acho que existem outras maneiras de mostrar e aplicar essa força.
Entao... o buraco realmente é mto mais embaixo!!! ou melhor, acho que o buraco nao tem fim!
ResponderExcluirDo que dizer do mlk com GAP rayban?! Nada, pode ser falsificado.. ou até contra-bando...
e o que dizer dos alunos?! nada, eles estavam gerando um provocação na sociedade... e chamaram a atenção...
o que dizer da USP?! Nada, ela é puro reflexo do governo
O que dizer da Globo?! Nada, ela da audiencia e tem que fazer politica
e sabe o pq de dizer NADA pra tudo?! Pq o povo, que deveria ser o mais interessado na história, não fez NADA!!! Não temos memória... daqui 1 mês ngm mais lembra o que aconteceu... e o reitor vai estar lá, a globo continuará líder, o mlk vai voltar a usar GAP, a USP continuará cheia de maconha, a PM despreparada e a Guarda Universitária rídicula...
resultado final: NADA.... nada mudará, para ninguém!